
O bebê Enrico Menegali Izidoro, nascido em 9 de abril na cidade de Tubarão, pode ser o primeiro caso do país de imunidade contra a Covid-19 passada de mãe para filho. A mãe dele, Talita Menegali Izidora, que é médica da rede municipal, recebeu a vacina da Coronavac durante a 34ª semana de gestação. A imunidade foi comprovada por meio de teste com coleta de sangue no segundo dia de vida do bebê.
A mãe explicou à reportagem que tomou a primeira dose de vacina em fevereiro (34 semanas) e após 15 dias a segunda dose. “Foi uma decisão conjunta com meu obstetra, Dr. Otto, já que a Coronavac por ser vírus inativado a princípio teria riscos mínimos, apesar de ainda não ter estudo. Agora não sabemos até quando essa imunização estará presente. Realizarei o exame novamente com 3 e 6 meses até porque estou em aleitamento materno exclusivo, tendo a possibilidade de continuar transmitir anticorpos”.
Talita também acrescenta o que o obstetra foi fundamental a decisão de se vacinar a tranquilizou. “Na época o Ministério recomendava que as gestantes só poderiam tomar se tivessem com atestado recomendando e se tivesse na linha de frente como aconteceu comigo”.

Os anticorpos passados de mãe para filho não são uma novidade, a exemplo da imunização transmitida por aleitamento ou vacinas na gestação contra doenças como hepatite B e influenza. Como a Covid-19 é uma doença nova, os estudos na área ainda estão em desenvolvimento, mas alguns já indicaram a presença de anticorpos no leite materno de mulheres vacinadas com Pfizer e anticorpos em bebês com mães vacinadas ou infectadas na gestação.
Há relatos de casos como o de uma enfermeira nos Estados Unidos, que foi vacinada na gestação e passou a imunidade para o bebê, e uma mulher em Singapura, infectada na gravidez que deu à luz a uma criança com anticorpos pra Covid. No Brasil, não há registros prévios desse tipo de imunidade até o nascimento do bebê Enrico, em Tubarão.
Por Ana Ritti – redacao@correiosc.com.br